quarta-feira, 9 de agosto de 2017

As ovelhas

Se tu me afagas lentamente, queimo em brasas atormentadas. Tua saudade é o leve afago e sou uma dúbia sereia serpenteando na areia feito peixe fora d’água, para onde levaram meu infinito oceano de lençóis macios e abraço morno e triste? Em que quase me viste nua nesse abrir de janelas do meu coração. Mas fugi, fugi louca e desvairada, sou criatura indomada e nada, meu amor, nada há de vislumbrar a selvageria de minha interna fera, girando e girando, caindo e caindo, tu que sóis lobo, reconhecerás em mim teu semelhante. 
Pois, amor, as ovelhas foram para o abate. E eu ainda estou aqui, viva.

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